A verdade por trás das semanas de trabalho de 4 dias

4 days workweek. Nos últimos tempos, um assunto que está sendo cada vez mais falado é a mudança da semana de trabalho para 4 dias em vez de 5.

Inclusive, uma série de empresas estão fazendo testes em alguns países — incluindo grandes companhias, como a Microsoft, no Japão, e a Unilever, na Nova Zelândia, que deram fins de semana de três dias para seus colaboradores.

Será que vale a pena? 🤔

Antes de falarmos sobre isso, é preciso entender um pouco da origem da semana de trabalho do jeito que conhecemos. De onde surgiu essa ideia de “semana de trabalho”? E, afinal, por que ela é de segunda à sexta? E por que 5 dias, e não 3, 4 ou 7?

  • De forma resumida: A semana de trabalho como conhecemos na maior parte do Ocidente tem origem religiosa.

O modelo mais próximo do atualmente usado nasceu nos EUA, por volta de 1910, na New England Cotton Mill, como uma forma de que seus funcionários — de maioria judia — conseguisse respeitar o Shabat (sábado), “dia de descanso” do judaismo.

Alguns anos depois… ⌛

Outras empresas começaram a adotar a prática e, em 1926, Henry Ford passou a fechar suas fábricas aos sábados e domingos. Nesse mesmo momento, Ford também entendeu o conceito de duração da jornada de trabalho, encontrando o tempo ótimo: 40 horas semanais.

Assim, duas normas foram estabelecidas:

1) Um padrão de dias de trabalho e de descanso.

2) Uma carga horária de produtividade esperada.

Essa mudança de mentalidade deu mais previsibilidade aos empregadores e empregados.

A carga horária ajudava a fazer as pessoas só trabalharem enquanto “ainda eram produtivas”. Essa divisão, entre dias de semana e finais de semana, ajudava com que elas conseguissem voltar para a semana seguinte realmente descansadas.

No entanto… 🕒

Esse movimento nasceu em um contexto muito diferente do atual, o de linhas de produção, em que a produtividade era determinada principalmente pela quantidade de horas trabalhadas — esses elementos eram fortemente correlacionados.

  • Assim, saber os horários de produção (dias de semana e horas ativas) aumentava a previsibilidade, o que facilitava o planejamento.

Porém, pensando em tempos presentes, conforme passamos para trabalhos cada vez mais criativos, isso muda drasticamente. E todo o questionamento da tal semana de trabalho de 4 dias vem dessa mudança.

As pessoas não precisam mais se comprometer a um horário rígido de trabalho, dado que isso não tem mais correlação forte com sua entrega.

Porém, como tudo na vida…

Essa questão não é tão simples assim. Trabalhar 4 dias na semana tem como benefício mais tempo de descanso e recuperação, o que permite que as pessoas se cuidem mais, descansem e exerçam a criatividade.

Por outro lado, isso só faz sentido quando os 4 dias trabalhados são realmente produtivos. E é aqui que mora o problema… a maioria das pessoas não é produtiva de verdade. É só olhar o gráfico abaixo:

A média de produtividade está caindo 📉

É isso mesmo, os brasileiros estão cada vez menos produtivo. Acontece que, juntamente a essa queda, a média do número de horas semanais trabalhadas também vem reduzindo nas últimas décadas. Esse outro gráfico mostra isso:

O que podemos observar? 🇧🇷

O brasileiro médio tem trabalhado cada vez menos horas por semana. E, ao mesmo tempo, a produtividade por hora trabalhada também vem caindo.

  • “Ahh, mas eu tô trabalhando mais.” Não importa se você realmente está — ou apenas acredita que está. Você não é o Brasil. risos. A reflexão geral sobre semanas de 4 dias de trabalho deve ser pensada em um cenário mais amplo.

Nesse contexto, atualmente, parece que essa discussão não faz tanto sentido pro país. Afinal, se mesmo com a redução da jornada semanal, a produtividade cai ao invés de aumentar, qual o resultado esperado de tirarmos mais oito horas produtivas por semana?

Em larga escala, hoje, isso poderia causar uma destruição massiva de competitividade e valor.

Mas o que fazer, então? 🤷‍♂️

Trabalhar 7 dias por semana? Também não. As pessoas e empresas, de modo geral, deveriam se preocupar menos com o número de horas trabalhas e mais com os resultados entregues.

E quer ver como isso importa? 🚨

Pense em quantas horas da sua última semana você foi realmente produtivo. Em quantas você rendeu 80% do que consegue? E em quantas você estava na verdade descansando a mente, com apenas o corpo presente no trabalho?

As pessoas confundem trabalhar muitas horas com ser muito produtivo. Querem menos dias na semana para trabalhar menos horas, quando, na verdade, já poderiam fazer isso, se ficassem mais interessadas em produzir mais enquanto estão trabalhando.

Dessa forma, a lógica deve ser outra. Em vez de buscar trabalhar menos e torcer para que a produtividade aumente, o foco deve ser no caminho inverso: Como produzir mais em menos tempo para que trabalhar mais horas não seja necessário?

Pra fechar com chave de ouro… 🔑

Esse conteúdo foi escrito por João Vitor, COO do G4 — em parceria com o time dêbiz — que trouxe sua visão sobre a ideia de 4 days workweek. Para mais conteúdos como esse, siga o @JoaoVitor e o G4Educacao no Instagram. É só clicar nos nomes.

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