Acredite no inesperado

Ramsine programou toda a sua vida para casar-se aos 35 anos. Na cabeça dela, daria tempo de aproveitar as baladinhas, ser independente financeiramente e se vestir de branco ainda “jovem”.

Tudo estava acontecendo conforme o combinado: ela curtiu as amigas, viajou bastante e conseguiu engatar em um relacionamento sério antes de completar sua idade limite.

  • Mas, como o acaso atropela nossos planos… Faltando 5 meses para os 35, ela levou um pé na bunda do namorado.

Sentiu raiva do destino por não cooperar com o planejado, porém, como já dizia Martha Medeiros, o silêncio arquiteta planos que não são compartilhados. Quando nada é dito, nada fica combinado.

Ainda sofrendo pelo fora, Ramsine começou a calcular o tempo que teria para conhecer o príncipe encantado: pensando na sua vida perfeita, 17 meses era o máximo.

Como o cavalo branco não costuma bater na porta, ela voltou pra vida de balada. Não era a mais animada da turma, mas curtir com as amigas era bem melhor do que assistir filmes sozinha.

  • Entre uma saidinha e outra, Ramsine percebeu que a missão seria difícil: muitas possibilidades, mas quase nada que valesse a pena.

Deu um tempo dos bares lotados e voltou a focar em sua vida profissional. Como boa arquiteta, só usava suas redes sociais para divulgar projetos e captar clientes — aplicativos de relacionamento jamais.

Até que… Em um happy hour com as colegas de trabalho, uma amiga começou a contar das várias pessoas interessantes que conhecera nos últimos tempos.

Atenta aos casos, Ramsine logo quis saber em qual balada dava pra conhecer tanta gente. De imediato, sua amiga respondeu: minha balada se chama inbox do facebook.

  • Ela não entendeu muito bem, mas, chegando em casa — e depois de alguns drinks —, resolveu abrir seu perfil.

Tinha uma mensagem do Kadu, pedindo o orçamento de um projeto. Ainda no clima da conversa anterior, Ramsine respondeu e acabou rendendo assunto para além da arquitetura.

Despretensiosamente, o “boa noite” se transformou em “bom dia”, que virou “boa tarde” e terminou em um convite para um café.

Ainda receosa de marcar um date com um “desconhecido”, ela não aceitou, mas o papo rendeu de forma tão natural e leve que os dois continuaram se conhecendo pelo virtual.

  • Depois de muita conversa e aproveitando o clima romântico do final de ano, no dia 24/12, eles resolveram se encontrar.

Como era véspera de Natal, não tinha nada aberto na cidade. Ramsine precisava comprar umas entradinhas para a ceia e, despretensiosamente, pediu a ajuda do Kadu para escolher os tira-gostos.

Em seus sonhos, o amor chegaria em um pôr do sol na praia ou em um jantar qualquer, mas a realidade foi diferente: a primeira vez que se cruzaram foi na seção de frios do supermercado.

  • Quando olhou pro celular, Ramsine viu uma mensagem do Kadu: pensei que você fosse mais alta. 

Ele chegou mais perto, o coração dela gelou e o supermercado lotado na véspera do Natal parecia cenário de comédia romântica  o acaso, dessa vez, tinha cooperado com ela.

O papo dos dois continuou em um café na cidade vizinha. Não trocaram nada além de boas conversas e risadas, mas o olhar já garantiu que aquele não seria o único encontro.

  • Dito e feito. Beijaram-se em meados de janeiro e não demorou nem 6 meses para juntarem as escovas de dente.

Para alguns, se envolver tão rápido pode parecer arriscado, mas, parafraseando Paulo Coelho, é preciso correr riscos. Só entendemos direito o milagre da vida quando deixamos que o inesperado aconteça.

E ainda bem que aconteceu. Em fevereiro desse ano, eles comemoraram 3 anos de casados e, a cada dia que passa, a Ramsine parece mais com o Kadu e o Kadu parece mais com a Ramsine.

  • Com ela, ele aprendeu a escutar música francesa. Com ele, ela vestiu abadá, pulou Carnaval e começou a gostar de sertanejo.

Para cada história densa e filosófica que ela conta, ele chega com um caso leve e uma piada sutil. Nesse conjunto descombinado, os dois seguem se completando — e sendo cada dia melhor.

Seguindo o conselho da Veronica, nunca deixe de sonhar. Aproveitando a história da Ramsine, também não se limite pelos seus sonhos: ela jamais conseguiria imaginar alguém como o Kadu.

 

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histórias que emocionam. não tão longas quanto um romance, mas suficientes para te fazer sentir.

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