Amor despenhadeiro

Iniciando a nossa história com um clichê bem adolescente, Lisa Matheus se conheceram na sala de espera do cursinho de inglês.

Ela conta que a primeira impressão foi de um menino metido, mas lindo. Ele conta que viu uma menina disciplinada, organizada e dona de si — linda era desnecessário.

Foram parar na mesma sala, e depois de algumas conversas no intervalo e caronas no final da aula, já se consideravam amigos.

  • Adaptando a fala de Antoine de Saint-Exupéry, quando o amor vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três já começamos a ser feliz.

Com toda a inocência da juventude, os dois desenvolveram um sentimento puro e a expectativa da aula de terça-feira garantia a felicidade da semana inteira.

A intimidade foi crescendo, os hormônios aumentando e, como não poderia deixar de ser, o primeiro beijo aconteceu.

  • As borboletas no estômago foram instantâneas, mas a vergonha sobrepôs o sentimento e eles agiram como se nada tivesse acontecido.

Até que… Os dois foram parar na mesma escola. Por culpa do destino, além das tardes de terça-feira, eles passaram a se encontrar todas as manhãs.

Fingiam que eram só amigos, mas o segundo beijo veio de forma natural — e rendeu um namoro de três anos. 

Neste meio tempo, eles se formaram no ensino médio, passaram noites em claro estudando pro vestibular e brindaram juntos a aprovação: ele em Engenharia e ela em Direito.

  • Parecia o cenário perfeito para o amor de infância vingar, mas, algum tempo depois, a Lisa e o Matheus se viram distantes.

Sentindo uma confusão entre o “eu” e o “nós”, ela resolveu terminar o namoro. Sozinha, pretendia descobrir onde aquele amor se perdeu.

Poucos meses — e algumas experiências — depois, Lisa sabia que não precisava mais procurar. A distância física escancarou o que era fato: os dois eram melhores juntos.

No embalo da saudade, eles reataram o namoro. Ela mergulhou na certeza, mas logo recebeu um balde de água fria: agora, era Matheus que não sabia o que queria.

  • Dessa vez, não teve ligação de madrugada e nem rastro de saudade. Quando resolveu terminar, o Matheus realmente foi embora.

Assim, sem ter escolha, a Lisa seguiu sua vida. Conheceu novas pessoas e até se aventurou com novos cortes de cabelo. Mudou por fora, mas, por dentro, o sentimento ainda era o mesmo.

Anos depois do término e sem nenhum tipo de contato, seria loucura dizer que ainda existia amor? Para alguns, talvez. Para a Lisa, loucura mesmo seria desistir sem tentar.

Na cara e na coragem, ela resolveu dizer o que sentia. Sem qualquer pretexto, mandou uma mensagem e chamou o Matheus pra jantar.

Ele não esperava o convite, mas bastou um reencontro para perceber o que havia esquecido: em sua vida, ninguém nunca tinha conseguido chegar onde a Lisa chegou.

  • Com apenas alguns olhares, eles sabiam que aquilo ali não era mais um caso de amor por hábito

Usando as palavras de Cris Lisbôa, Lisa e Matheus estavam diante daquele amor que é um despenhadeiro. Que acontece quando o destino sopra areia em nossos olhos para que possamos, de uma vez por todas, nos enxergar. 

Desde que se enxergaram nesse avesso, nunca mais se desgrudaram. Ontem, celebraram dez anos dessa história, de uma forma que não poderia fazer mais sentido: se casando.

  • Lisa diz que encontrou seu companheiro de vida. Matheus diz que ela é tudo que ele sempre sonhou. 

Ele agradece, do fundo do coração, por ela ter deixado o orgulho de lado. Se não fosse a coragem da Lisa, a história não seria sobre um amor despenhadeiro, mas sim um amor desperdiçado

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histórias que emocionam. não tão longas quanto um romance, mas suficientes para te fazer sentir.

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