Amor que acalma

No final de 2018, a Anna estava se formando em arquitetura. Entre muitos trabalhos, maquetes e exposições, seu pai surgiu com uma ideia diferente: um curso de monitoria de viagem.

Para dar um suspiro no final do semestre e deixar a timidez um pouco de lado, ela acabou topando.

Pensou que sairia de lá descansada da arquitetura e com as habilidades de uma guia turística, mas, depois de algumas dinâmicas, a Anna ganhou muito mais do que isso.

  • Ela ficou mais articulada, fez novas amizades e trocou olhares com a dona do sorriso mais lindo que já tinha visto: a Bruna.

Elas não conversaram durante o curso, mas tiveram a oportunidade de trocar um abraço de despedida no final — desses bem apertados, que funcionam como um refúgio pra alma.

Trocaram Instagram, Facebook e WhatsApp, mas só conversavam pelo grupo da viagem. Davam um like aqui e outro ali, sem intimidade pra direct. 

Nesse meio tempo, a Anna começou a namorar outra pessoa. Passou pelo ano de 2019 com um relacionamento leve e tranquilo, até que suas perspectivas começaram a ficar diferentes.

Mudando o estilo de vida e o rumo profissional, a Anna e sua antiga namorada resolveram terminar.

  • Ela estava animada pra vida de solteira, até que o ano de 2020 chegou com tudo: pandemia, isolamento e adeus vida social.

Com os seus finais de semana resumidos em Netflix, supermercado e lives no Instagram, em um dia qualquer, a Anna postou uma foto da sua rua vazia.

Para sua surpresa, a menina bonita do curso de viagem respondeu, perguntando o que ela estava fazendo na vizinhança.

Pela troca de mensagens, elas descobriram que moravam a 500 metros uma da outra e não faziam ideia. Frequentavam a mesma padaria e pegavam o mesmo metrô, mas nunca tinham se esbarrado.

Nas palavras de Clóvis de Barros Filho, a vida é uma sequência de encontros inéditos com o mundo, e portanto ela não se deixa traduzir em fórmulas de nenhuma espécie.

  • No caso das duas, a fórmula perfeita não se deu na esquina de casa, mas o curso de monitoria de viagem corrigiu a desatenção do destino.

Depois disso, elas começaram a conversar todos os dias. Mesmo sem o contato físico, a intimidade cresceu pela tela do celular e quando a Anna e a Bruna notaram, elas já estavam.

As duas se amaram com calma, sem pressa e do jeito que era pra ser. O pedido de namoro foi no dia primeiro de junho de 2020, às 04h04 da manhã. O primeiro beijo veio três dias depois.

No meio da pandemia, a Bruna percorreu os 500 metros de distância que as separavam. Quando se olharam, o pensamento foi só um: como esperaram por aquele momento.

  • Dois anos depois, elas continuam sendo o ponto de paz uma da outra. 

Diante da imensidão do universo, saber que elas dividem a mesma órbita e escolheram dividir a mesma vida, consegue acalmar o coração da Anna.

Seja suando no boxe de quinta-feira, jantando poke na sexta ou tomando uma cerveja no sábado, com as duas não existe tempo ruim.

Sem grandes reviravoltas, a Anna agradece a Bruna pelo amor leve e gostoso e deixa um recado pra quem está lendo: nunca perca a esperança de viver um amor tranquilo.

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histórias que emocionam. não tão longas quanto um romance, mas suficientes para te fazer sentir.

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