Final feliz

Quando estava no final do ensino médio, a Ana Clara conheceu o Alexandre. Ela lembra como se fosse ontem: ele estava sentado no fundo da sala, com o sol batendo em seu rosto.

Naquele momento, a Ana se apaixonou — bem no modelo da adolescência, que a gente apaixona e desapaixona toda hora.

Como sempre foi a “pra frente” da turma, ela não disfarçou interesse, mas logo recebeu uma rasteira em seus planos: ele já estava apaixonado por outra menina da sala.

  • Bem diferente dela, a paixonite do Alexandre falava pouco, tirava as melhores notas e não dava bola pra ninguém.

Como ele gostava de outra pessoa, a aproximação inicial com a Ana Clara era só amizade, mas todos em volta sabiam que ali tinha alguma coisa diferente.

Não deu outra. A relação dos dois foi ficando cada vez mais estreita: eram muitos desabafos, madrugadas no MSN e pizzas depois da aula.

Algum tempo depois, eles se beijaram. Em poucos minutos, o Alexandre falou tudo que ela esperava escutar há mais de um ano. Em apenas um mês, já estavam namorando.

  • Mesmo com a pouca idade e quase nenhuma experiência, a Ana sabia: ele era o amor da sua vida.

Era tudo muito novo e, principalmente, muito intenso — tão intenso que a Ana esqueceu de se amar. Tentou ser outra pessoa para agradá-lo e as brigas ficaram mais frequentes do que os diálogos.

Nas palavras de Albert Camus, o homem tem duas faces: não pode amar ninguém, se não se amar a si próprio.

Dito e feito. O Alexandre terminou o relacionamento e começou a namorar com a antiga paixonite da sala. Para a Ana, a dor veio na mesma intensidade do amor: seu mundo caiu.

  • Alguns podem pensar que é exagero, mas quem nunca viveu um amor adolescente?

Em uma terça-feira qualquer, a professora de artes da escola estava comentando que não se casou com o amor da sua vida. Apesar disso, ela reforçou que amava o seu marido e que eles eram muito felizes juntos.

Quando acabou a aula, a Ana foi até a mesa da professora e perguntou se ela achava que, na vida, a gente teria apenas um amor.

  • Sem pestanejar, ela respondeu: você nunca vai amar alguém como amou o primeiro, sem medo de se jogar. O amor da sua vida é um só.

A Ana ficou arrasada e pensou que nunca mais seria capaz de amar alguém novamente. Ela e o Alexandre namoraram outras pessoas, porém, continuaram mantendo contato.

Os dois tiveram algumas recaídas, mas nunca deu certo. A Ana Clara inventou uma história em sua cabeça e pra ela o desfecho já estava escrito: o destino queria que eles ficassem juntos.

Até que um dia… Ela encontrou alguém diferente. Conheceu o João e sentiu um amor que ainda não conhecia.

  • Para Adelina Sanches, amor leve, não é amor pequeno. É um amor sereno, equilibrado e que acalma. Que infiltra na alma e toma conta do peito.

Com o João, a Ana não tentava ser outra pessoa. Para cada defeito que ela mostrava, ele só devolvia com mais amor. O relacionamento não tinha pressão, era tranquilo e trazia paz.

Nesse meio tempo, o Alexandre ficou solteiro e foi atrás da Ana. Faziam exatos 10 anos que eles tinham se conhecido e tudo indicava que estava na hora daquele desfecho de comédia romântica.

  • Porém, na vida real, a Ana lembrou da frase da sua professora de artes: existe o amor da sua vida e o amor pra sua vida.

Ela sabe que nunca viverá uma paixão tão intensa quanto a que viveu com o Alexandre, mas o amor pra vida dela é o João. Com ele, a felicidade não é imaginária, é real.

Para a Ana Clara, ter encontrado o João não anula tudo que ela viveu antes, mas ajuda a entender que o mais importante é se amar primeiro. O amor à primeira vista é incrível, mas só uma base sólida perdura a vida inteira.

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contamos e escrevemos amor

histórias que emocionam. não tão longas quanto um romance, mas suficientes para te fazer sentir.

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