Amor é casa

O primeiro namoro da Laura não terminou bem. Aliás, terminou bem no estilo de novela mexicana: com direito a choro, confusão e aquela sensação de “nunca mais vou me envolver com ninguém”.

  • Cansada de sofrer dentro de casa e por insistência das amigas, logo após o término, a Laura foi parar em uma festa.

Para piorar a situação de quem já não estava no clima de balada, ela chegou lá e deu de cara com os amigos do seu ex-namorado — tudo indicava que era melhor ter ficado em casa.

Porém, como agora não tinha volta, resolveu aproveitar e afogar as mágoas no patrocinador do evento: o famoso José Cuervo, a tequila.

Depois de alguns shots, a Laura chegou na rodinha dos seus conhecidos — e outros desconhecidos — dizendo que o único homem que ela queria dali para frente era o José.

  • No dia seguinte, acordou com muita ressaca e pouca memória. Pegou seu celular e viu que um tal de José tinha pedido para segui-la no Instagram.

Logo lembrou do fora que tinha dado e foi correndo pedir para sua amiga explicar que ela estava falando da tequila, e não do José. 

Para deixar a história clara, a Laura pensou que seria melhor pedir desculpas. Explicou que falar demais era sua especialidade, contando que já tinha soltado outras pérolas do tipo.

  • O Zé usou o pedido de desculpas como pretexto para puxar assunto e os dois começaram a conversar.

Depois de muitas trocas de mensagens e alguns desencontros por aí, eles se esbarraram em uma festa junina. 

A Laura não sabe se foi o clima frio ou a lua que estava cheia, porém, não precisou de tequila para perceber que o primeiro beijo foi diferente.

  • O coração estava em paz, mas as feridas do passado deixaram a mente atenta: será que ela queria ficar com o Zé ou só queria ficar com alguém?

As circunstâncias não deram nem tempo de pensar. Na semana seguinte, ele iria de intercâmbio para Londres e ela iria para Porto Seguro com a turma do colégio.

Combinaram que não teria combinado: cada um poderia aproveitar a viagem da forma que bem entendesse. Na volta, se fizesse sentido, conversariam e ajustariam as rotas.

Aproveitaram bastante o tempo em que passaram separados, mas bastou um reencontro para perceberem que o mundo dos dois era bem melhor que o mundo lá fora.

Adaptando as palavras de Guimarães Rosa, os outros, a Laura conheceu por ocioso acaso. O Zé, ela encontrou porque era preciso.

  • Um mês foi o tempo que levou para começarem a namorar. Seis anos foram suficientes para o pedido de casamento.

O anel no dedo só serviu para confirmar o que a Laura já tinha previsto naquela festa de alguns anos atrás: dali pra frente, ela só queria o José.

Determinados e cheios de coragem, os dois organizaram o plano perfeito: depois do casamento, eles estudariam juntos e fariam uma pós-graduação fora do país.

  • Como a vida costuma dar rasteira em nossos planos, a pandemia chegou e trocou o script: o casamento mudou de data, de lugar e de tamanho. 

A Laura sonhava com uma cerimônia na Itália, mas a troca de alianças em Minas Gerais veio acompanhada de uma surpresa ainda mais especial: a tão sonhada aprovação em Chicago.

Nos votos do casamento, ela escreveu que dificuldades a gente enfrenta, imprevistos a gente contorna e, no final das contas, felicidade é a gente que constrói. 

Um ano depois, ela vê o quanto isso se faz verdadeiro, e não importa o lugar. Seja em Belo Horizonte, em São Paulo ou nos Estados Unidos, a casa da Laura é onde o José está.

Hoje, eles completam um ano de casados e quase 9 anos juntos. De lá pra cá, ela trocou a tequila pelo vinho, mudou de cidade, de carreira e de país — mas só precisa do Zé pra ser feliz.

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