A beleza do começo

Ana Júlia e o Pedro se conheceram no início de 2019, mas poderia ter sido bem antes. Eles tinham muitos amigos em comum, e não foram poucas as vezes que os dois quase se encontraram.

  • Estiveram juntos em muitos bares, praças e festas, mas foi em uma quarta-feira qualquer que eles foram apresentados.

A Ana estava sentada em uma mureta, quando viu o Pedro. Tímido e meio sem jeito, ele se aproximou e ela ficou nervosa — há muito tempo não sentia aquilo.

Papo vai, papo vem, eles descobriram vários gostos em comum: amavam os Rolling Stones, não sabiam dançar e gostavam mais de cachorros do que de muita gente.

Depois de dividirem algumas latinhas de cerveja, se arriscaram no karaokê do bar. Nenhum dos dois era muito afinado, mas, só pelo intensidade do cantar, a Ana Júlia já sabia: tinha encontrado alguém que a entendia.

  • Quando o lugar fechou, eles continuaram o show na rua e finalizaram com um beijo — o encaixe era melhor do que qualquer melodia.

No final de semana seguinte, se encontraram de novo. E de novo. E de novo. A companhia era boa no bar, boa na balada e perfeita no domingo de manhã.

O frio na barriga deixava o encontro gostoso, mas a Ana queria mais. Não aguentava a incerteza do dia seguinte e resolveu descobrir se o Pedro sentia o mesmo.

Os dois estavam em uma festa, sentados no jardim e rindo. Ela não lembra qual era o motivo da risada, mas nunca vai esquecer quando olhou nos olhos do Pedro e o pedido de namoro aconteceu.

  • O céu estava estrelado, a noite fria e a felicidade estampada. Sem pensar duas vezes, os dois pularam na piscina, de roupa e tudo.

Quando saíram da água gelada, no meio da madrugada, todo mundo olhou — sabe aqueles casais que, só de ver, já nos fazem acreditar no amor?

O Pedro saiu para pegar um casaco e esquentar a Ana. Ele cuidou dela e foi aí que tudo começou, em setembro de 2019.

Continuaram frequentando bares e bebendo cerveja, mas trocaram as baladas por um baralho com a família da Ana. Aprenderam juntos, cresceram juntos e até se esqueceram como seria uma vida separados.

  • Dois anos depois… Em agosto de 2021, foi a última vez que dividiram um abraço.

Passaram a noite no apartamento do Pedro, mas, no dia seguinte, a Ana precisava ir embora às pressas. Ela saiu com o coração apertado e ele decidiu que queria seguir sozinho dali pra frente.

A Ana poderia contar quantas vezes, durante esses dois anos, eles discutiram, se amaram, foram felizes e sofreram. Porém, para ela, nenhuma história é tão bonita quanto a do começo.

Escrever essas palavras foi a forma que ela encontrou de tentar despir-se do amorque passou — sem esquecer da beleza do início.

  • Dizem que pessoas vem e vão, mas como normalizar o fato de alguém simplesmente se tornar um estranho? 

Nas palavras da Ana, ela guardou o Pedro em lembranças profundas e sente que, se esquecê-lo, ficará para sempre despida. Mesmo sabendo que ela congelaria, ele partiu agasalhado pelas suas saudades.

Na vida, o desfecho nem sempre sai como planejado, mas, como somos uma coleção de memórias, nem o final mais trágico consegue estragar as lembranças do “durante”.

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