Amor por acaso

Em abril do ano passado, a Marina decidiu fazer uma viagem sozinha. O objetivo era menos o destino e mais aprender a desfrutar da sua própria companhia.

  • Para compensar o desafio da solidão e agradar a sua alma solar, ela resolveu que o lugar escolhido seria uma praia.

Depois de pouco planejamento e muito frio na barriga, a Marina colocou alguns biquínis na mala e saiu de Brasília rumo à Fernando de Noronha.

No primeiro dia de viagem, ela já viu que não estaria sozinha: fez amizade com a turma do hostel e foi direto conhecer a ilha e assistir ao pôr do sol.

  • Voltando do passeio… A Marina deu de cara com uma vista mais bonita do que o mar de Noronha.

Um homem de olhos verdes tinha acabado de chegar na recepção. Com a máscara cobrindo a metade do rosto, ele disse ao concierge que se chamava Victor e morava em Brasília.

Na mesma hora, sem nem pensar duas vezes, Marina respondeu que também era de lá e que ainda não tinha conhecido ninguém da mesma cidade. 

  • Com aquele frio na barriga gostoso de quem não tem nada a perder, ela já convidou o conterrâneo para jantar com o resto da turma.

No caminho até o restaurante, os dois foram conversando bastante. Talvez pelo fato de serem da mesma cidade, ou, talvez, por tudo estar acontecendo como deveria estar. 

Nas palavras de Milan Kundera, para que um amor seja inesquecível, é preciso que os acasos se encontrem nele desde o primeiro instante.

  • A Marina sempre foi conhecida por ter o “espírito livre” e nunca acreditou nesse tal de amor à primeira vista, mas como explicar as repentinas palpitações no coração? 

No dia seguinte… Os dois se encontraram no café da manhã e logo combinaram a programação. Estavam preparados para mergulharem nas profundezas de Noronha.

O cenário era perfeito: alguns desconhecidos, a paisagem dos sonhos e muita troca. Longe de casa, cada pessoa era uma história e cada história era um aprendizado.

  • Para a Marina, só tinha um problema: será que o Victor estava sentindo o mesmo que ela? 

A química era palpável, mas ele não demonstrava interesse. Seu jeito discreto e cauteloso divergia do jeito expansivo dela e deixava aquela insegurança pairando no ar.

Quando anoiteceu, eles foram para um Luau. A Marina já estava imaginando o beijo sob o céu estrelado, mas… Nada aconteceu.

  • Tudo parecia alinhado, menos o interesse do Victor. 

Desiludida e ”pronta pra próxima”, ela estava arrumando para ir dormir, quando encontrou o Victor na porta de seu quarto, perguntando se eles poderiam conversar.

Deixando a timidez de lado, ele falou o quanto estava encantado pelo jeito dela e fez um pedido: transformar duas viagens solo em uma viagem de mãos dadas.

  • A Marina respondeu com um beijo e, de repente, as palpitações no coração trouxeram paz — e não agonia.

Eles ainda tinham 6 dias em Noronha e fizeram valer o combinado da noite anterior: a viagem, agora, era dos dois.

Mergulharam de snorkel, curtiram preguiça na rede, tomaram alguns vinhos e viveram dias repletos de amor. Esse sentimento gostoso tomou conta deles — e toma conta até hoje.

  • O Victor e a Marina voltaram pra Brasília, mas não deixaram pra trás o amor que construíram em Noronha. 

Ela está quase se formando em medicina e ele está quase acabando o curso oficial dos bombeiros. Os dois têm pouco tempo livre e rotinas diferentes, mas o sentimento ajusta tudo.

A Marina e o Victor já deveriam ter se cruzado em Brasília, porém, só a chegada do sol de Noronha conseguiu ajustar melhor a vista. Como já dizia Carla Madeira, não é tolo dizer que o amor é sagrado.

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histórias que emocionam. não tão longas quanto um romance, mas suficientes para te fazer sentir.

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